sábado, 9 de outubro de 2010

Beneficência, Caridade, isto é.

Costumava criar um amor em segundos, e chorava quando o sol dourado se erguia no alto, ela sabia que eles iriam embora quando amanhecesse, sem telefone, sem pensar em voltar, só batiam a porta, sem dizer adeus, e quando percebia era tarde de mais. Sempre era tarde de mais. Era abundantemente diferente das outras garotas, fumava seu cigarro barato sem parar, gostava de destruir e beijar meninas, dançava na mesa do bar e vestia cuecas, mesmo assim, quando ele a viu, ele a almejou, desejou estar com ela pelo fim de sua vida, a sufocando com seu amor, a curando com sua própria dor, ele quis amá-la como nunca amou ninguém. Ela recusou toda aquela nostalgia da paixão, dizia que ‘os homens sempre a machucavam, e por isso queria viver com uma garota do interior. ’
 Ele cuidou dela como se fosse um bebê, e ela era mesmo, tão ingênua feito ‘Eva no paraíso’, lucrava de sua distração, e voltava para a rua, trepar com o primeiro que aparecesse, se picar e se manter. Mas ele sabia que sofreria, e aceitou essa condição, tentava salva-la de todas as formas possíveis, mas esta  não queria a tal ‘redenção’. Cápsulas, e ele perdia o que nunca pertencera ao mesmo, ela ficava cada vez mais remota, e tudo parecia mais frio. Tremendo ele a acariciava e fitava seu rosto enquanto dormia, beijava sua testa, e cantava canções infantis, ela acordava e chorava como uma criança o abraçando forte.
Ele também tinha os olhos rasos d’água, todos os dias ela ‘cortava um pedaço dele e cozinhava em fogo branco na janta’. Ela não parecia se importar ao ferir, mas dentro estava gritando, implorando para que ele não a deixasse cair naquele precipício que cada vez batia mais forte em seus pés.
E finalmente numa noite calorosa de dezembro, ela se sufocou com seu próprio vomito e faleceu.
Um mês  depois, ele descobriu que tinha um câncer em estado avançado, pegou a faca qual ela tinha tanta feição, e cravou em seu peito.