quarta-feira, 24 de novembro de 2010

frascos vazios como nós.

Gritava nua por todo o deserto da infelicidade, seu enlevo sempre acabava longe das seringas, talvez só quisesse ser uma personagem de filme que vira antes, mas se contestava mostrando a porra do seu coração, músculo tão forte, em suas mãos tão quebradiço e feio, mais monótono que aquele que bombeia o sangue.
Ela é a garota mais linda e triste que já vi. Mas não vi. Recordo sua imagem em meus sonhos, e fico com a utopia do seu abraço suave,


deixe-me senti-lo de verdade.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

nada volta, nada muda.

sinto tua ausência, como um soco no peito, minha cabeça dói.

euforia, pó, e ele não percebeu, o quanto isso era enorme, e aumenta mais ainda.

pra você todo meu amor com um gosto amargo.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

ARRULHO BRANCO

Você me fez ser o que eu não achei que seria,
acreditar no que tanto repetia que não existia,
e agora pra você, tudo não passou de pura utopia,

acha engraçado, me ver vomitar agonia?
me fustigar com um sorriso cordial?

sangrar mais do que o estomago revira.
cuspir mais do que a boca cheia de vaidade.
esquina após esquina, fumaça após fumaça
eu me recordo, e desdobro, o quanto poderia ser...
diferente, mas não sinto mais uma inquietação.





passou, como tudo sempre passa.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

tão atrativo quanto o seu hollywood amaçado no bolso.

O robô caminha pela areia da praia, com suas pernas de latas tão pesadas e duras, elas vão travando aos poucos, ele sabia que isso iria acontecer. Está vendo coisas que já não são reais, é apenas o que ele queria que fosse real. Tão real quanto o xixi que escorre em suas pernas secas.
  Corre, mas nunca chega em lugar algum, avista as luzes de longe, mas tão longe que a areia some, e ele se transforma num soldado, marcha sem rumo, sente seu rifle pesado bater nas costas, e agora vê que as pernas não estão molhadas como pensou.
 Um giro, ouvir de risos, alguém segue o menininho na floresta, ele olha para trás sem cessar, cadê a porra da sombra? Cadê as criançinhas sorridentes? Não, não pode ser sua imaginação. É tão real quanto o suco que escorre das pernas.
 Então o menino-robô-soldado para e escuta, mas tudo some, tudo fica lento, dispara, mas não sai do lugar.