quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Lenço de papel

Tão decadente,
E eu me afundava no teu poço,
me afogava no seu amor,
quis ser você,
todas as vezes que gritei,
quis ser você,
todas as vezes que sangrei,
segurava o meu braço,
dizia pra não fazer,
o que mantinha você,
agora acabou,
“Só um ‘tiro’ para a dor”.

domingo, 24 de outubro de 2010

Anti-Amor (1)

O beijo cortante pega o trem e flutua nas estações, procurando um amor que cure sua dor, intenso e desesperador. Não vai chegar a nenhum lugar, só conhece o frio, e a brisa pálida da manhã, cheira a rato morto, com sabor de orvalho estagnado. Ate que paira sobre o vagão da desesperança.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Daltônica


 
Acromática, seca como folha voando no vento frio de outono, acromática, eu não temo, eu não faço alvoroço, deixo a brisa me tocar, me abusar. Preciso ir pra longe ate isso passar. Acromática, saio na rua e rio sozinha, tanta gente e ninguém vê minha felicidade eufórica, ninguém ouve o meu murmurar inibido.
 Que sol é aquele que se cego se curva aos pés? Queima, arde, enrubesce a lividez da carne. Quero continuar apagada enquanto o teu brilho me ofuscar. Se você é tinto e berrante, então eu também posso voar, mas não consigo enquanto você segurar minhas mãos, suma com toda essa palidez.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Claridade que afoga.

Você não percebeu, é falta de amor, onde esta a porra do seu amor cortante? As luzes acendem e apagam sem cessar, mas cadê o interruptor? Eu sei que você o engoliu, achou que era açúcar e botou no seu café, agora toda vez que você arrota a claridade vai embora, prefiro assim. Você pode me tocar, tudo o que você precisa é coragem para fazê-lo, não vá embora sem me abraçar mais uma vez, O monstro interior é tão irônico assim? Se me der uma faca eu o arranco de você, se é que ele n se mudou pros meus rins, dói. Tão perto e eu não pude fazer nada, nem reparei quando ela me perguntou das alfaces, estava pensando em nadar naquele rio, é, outra vez, isso voltou.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Cuspa,

me cozinhe a cabidela, e vá embora com o estomago gritando.

sábado, 9 de outubro de 2010

Beneficência, Caridade, isto é.

Costumava criar um amor em segundos, e chorava quando o sol dourado se erguia no alto, ela sabia que eles iriam embora quando amanhecesse, sem telefone, sem pensar em voltar, só batiam a porta, sem dizer adeus, e quando percebia era tarde de mais. Sempre era tarde de mais. Era abundantemente diferente das outras garotas, fumava seu cigarro barato sem parar, gostava de destruir e beijar meninas, dançava na mesa do bar e vestia cuecas, mesmo assim, quando ele a viu, ele a almejou, desejou estar com ela pelo fim de sua vida, a sufocando com seu amor, a curando com sua própria dor, ele quis amá-la como nunca amou ninguém. Ela recusou toda aquela nostalgia da paixão, dizia que ‘os homens sempre a machucavam, e por isso queria viver com uma garota do interior. ’
 Ele cuidou dela como se fosse um bebê, e ela era mesmo, tão ingênua feito ‘Eva no paraíso’, lucrava de sua distração, e voltava para a rua, trepar com o primeiro que aparecesse, se picar e se manter. Mas ele sabia que sofreria, e aceitou essa condição, tentava salva-la de todas as formas possíveis, mas esta  não queria a tal ‘redenção’. Cápsulas, e ele perdia o que nunca pertencera ao mesmo, ela ficava cada vez mais remota, e tudo parecia mais frio. Tremendo ele a acariciava e fitava seu rosto enquanto dormia, beijava sua testa, e cantava canções infantis, ela acordava e chorava como uma criança o abraçando forte.
Ele também tinha os olhos rasos d’água, todos os dias ela ‘cortava um pedaço dele e cozinhava em fogo branco na janta’. Ela não parecia se importar ao ferir, mas dentro estava gritando, implorando para que ele não a deixasse cair naquele precipício que cada vez batia mais forte em seus pés.
E finalmente numa noite calorosa de dezembro, ela se sufocou com seu próprio vomito e faleceu.
Um mês  depois, ele descobriu que tinha um câncer em estado avançado, pegou a faca qual ela tinha tanta feição, e cravou em seu peito.

domingo, 3 de outubro de 2010

A QUEDA


Estou caindo, e a luz forte machuca meus olhos, eu sangro um liquido quente, é da cor do arco-íris que batia e fodia com os nossos tímpanos. Corra o mais rápido que puder Lucia, vamos, nos podemos fugir desse lugar que há muito tempo nos assombra vomitando o vento cortante que vem sem cansar. Eu Cai numa poça de lama cor-de-rosa, e você riu com os dentes coloridos feito balas de goma. O Céu girava e os pequenos porcos-girafa rugiam mais alto que o trovão, isso se chama chuva, me disse com pavor, não pode ser mais que isso. Acho que o magma é fria como ele.